Título: Careca, jacó ou cacetinho: descubra curiosidades sobre o pão francês
Data Inserção:16/10/2019 11:27:32 Veículo: Site - Ndmais

Data Publicação: 16-10-2019 - clique aqui 1828cm²

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Trazido ao Brasil no século 19 pela elite que importava as tradições francesas, o pão do tipo francês se tornou o mais consumido do país. A receita que leva farinha, água, sal e fermento, é conhecida por diferentes nomenclaturas pela diferentes regiões brasileiras. Careca, jacó, cacetinho, aguado, pão de água ou pão de trigo, são apenas algumas delas. Referência culinária, o colunista do ND João Lombardo conversou sobre o tema e ajudou a contar a história do pão e de novos tipos que vem conquistando o paladar nacional. Confira:

Paris era a cidade referência da elite brasileira no século 19. Perfumes, roupas e hábitos dos parisienses eram adotados pelos turistas brasileiros, que ao retornar ao país estabeleciam os costumes estrangeiros como moda. Não foi diferente com a culinária. Produzido em formato alongado, o baguete era o pão mais popular no país europeu. A receita de casca crocante passou então a ser encomendada aos padeiros do Brasil, que tentavam recriar de maneira fidedigna a receita importada. - Pixabay

Feito a partir da mistura de farinha de trigo, água, sal e fermento biológico, o pão de trigo é o tipo mais consumido pelos brasileiros. Um levantamento da ABIP (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria) realizado em 2017 mostrou que 52% do pão consumido pelos brasileiros diariamente é do tipo francês. - João Lombardo/Arquivo Pessoal

Um dos ingredientes principais da receita do pão francês é trigo. O Brasil consumiu em 2017, 12,1 milhões de toneladas do cereal, o que demonstrou um crescimento de 9% em relação ao ano anterior. Os dados são da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria de trigo). - Pixabay

De acordo com a Abritrigo, entre 2012 e 2017, houve um aumento de 51,96% no consumo de farinha de trigo para pão francês. - Pixabay

Mas esse não é único nome pelo qual ele é chamado. “O Brasil é um país bastante regionalizado, o que faz com que um ingrediente seja conhecido por diferentes nomenclaturas”, comenta o colunista do ND João Lombardo. Especialista em culinária e dono da padaria “Lombardo Pão Italiano” em Florianópolis, Lombardo diz que no Brasil existem oito variações linguísticas para o pão francês. - João Lombardo/Arquivo Pessoal

Em Florianópolis o nome é pão de trigo. Já para os paulistas é pão francês ou pãozinho. Os gaúchos chamam de cacetinho. Pão jacó para os sergipanos e aguado para os paraibanos. O pão de massa grossa é como ele ficou conhecido no Maranhão e os cearenses conhecem como pão de sal ou carioquinha. - João Lombardo/Arquivo Pessoal

Mesmo com o consumo elevado de pão francês, outros tipos passaram a integrar a alimentação dos brasileiros. Segundo Lombardo, os pães passaram a ter uma variação na adição de ingredientes como linhaça, centeio e aveia. A diferença está também na fermentação que pode ser natural ou seminatural. “A produção se espelha na produção de pães internacionais, como se fez na importação do pão francês. A panificação brasileira passa por uma transformação”, destaca Lombardo. - João Lombardo/Arquivo Pessoal

Um dos exemplos é a valorização de receitas autorais. Na padaria Pão Italiano Lombardo, comercializa o pão centeio puro glúten. A receita foi criada para atender as necessidades de sua avó diabética. Com restrição aos açúcares do pão, ela precisava consumir o alimento com mais proteína, que no caso do pão é o glúten. O pão centeio tem massa com “100% de glúten”, casca mais grossa e sabor que lembra café. - João Lombardo/Arquivo Pessoal

Lombardo lembra ainda da receita de pão nacional que tem alcançado destaque mundial: o pão de queijo. A tradicional receita mineira feita a base de polvilho, já ganhou até versão australiana. O chef Paul Foreman vende a iguaria brasileira em Hobart, capital da Tasmânia. A média de vendas é 200 a 300 pães por dia. - João Lombardo/Arquivo Pessoal

 

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