Título: Padeiro carioca ensina produção do pão à população carente de Moçambique
Data Inserção:17/10/2019 11:36:01 Veículo: Site - O Globo - Tiragem / Audiência:3900000

Data Publicação: 17-10-2019 - clique aqui 3306cm²

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Padeiro carioca ensina produção do pão à população carente de Moçambique Alex Duarte, de 45 anos criou projeto 'Pães para todos'. Neste dia 16 de outubro, é comemorado o dia do pão

RIO — Alimento mais popular do mundo, presente em várias refeições e marcado pela versatilidade no consumo. Esse é o pão, que ganhou uma data só sua, celebrada mundialmente em 16 de outubro — a data foi instituída pela União Internacional de Padeiros e Afins, em 2000. No entanto, mesmo sendo peça-chave da alimentação diária, nem todos têm acesso ao alimento. Pensando nisso, o padeiro Alex Duarte, de 45 anos, morador de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, criou e desenvolveu o projeto social "Pães para todos", realizado em áreas pobres da cidade de Quelimane, em Moçambique, na África.

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— O meu tio já realizava trabalhos voluntários por lá. Em 2017, senti o desejo de participar. Trabalhava com Tecnologia da Informação e fazia pães como hobby. E foi aí que nasceu o desejo de levar os pães para África, de ensinar jovens da aldeia a arte de fazer pães — explica Alex, que viaja uma vez por ano para o país e sonha ver o projeto em áreas carentes do Rio: — Hoje a proposta consiste em apenas uma pessoa, que sou eu. Recebo muitos elogios, mas quase nenhuma ajuda. Mas já estamos juntos com o Instituto Água Viva no sertão nordestino.

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Para concretizar o projeto, Alex começou uma campanha com familiares e amigos para levantar os R$ 20 mil necessários para o pontapé inicial. Ele conta que o primeiro pensamento era produzir a maior quantidade possível de massa durante os sete dias que ele permaneceria na cidade, para que depois os moradores fossem assando o alimento nos fornos construídos com vasos de barro, pedras e carvão. Mas um fator o fez mudar a sua forma de pensar: a fome.

— Uma massa acabou ficando de lado, no primeiro dia de curso. Um dos alunos, usando uma folha de bananeira, pegou aquela massa e comeu, crua. Ali eu percebi, que, teríamos que assar todas as massas produzidas. Eu estava lidando com algo que eu não conhecia, a fome! Foi então que começamos a assar os pães sob as brasas do carvão.

Alex ministra workshops e faz trabalhos voluntários Foto: Divulgação PUBLICIDADE

Os pães são feitos com farinha, leite de coco natural, fermento biológico seco, sal, manteiga e bagaço do côco. A ideia, segundo Alex, é valorizar e usar os produtos locais e a mão-de-obra da região.

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Alex hoje envia, mensalmente, recursos para manter a produção de pães e alimentar 90 crianças órfãs, 48 viúvas e 15 idosos. Ele conta que, antes dos pães, o alimento principal era uma mistura de farinha de mandioca e água quente. O padeiro, que ministra workshops aqui no Brasil, afirma também que os moçambicanos responsáveis por conduzir a padaria na África são estimulados a produzirem mais fornadas para que o excedente possa ser vendido na cidade de Quelimane.

— É preciso ensinar a pescar, dar a vara, como é dito por aí. Nada acontece por acaso. Este amor que sinto pela panificação, pelos pães com fermentação natural, não brotou em meu coração à toa. Nasceu para um propósito, com um objetivo maior, objetivo esse de alimentar vidas em outro continente. De alimentar esperança de dias melhores.

Pão francês, o queridinho entre tantas novidades

Nas padarias do Rio, o Dia Mundial do Pão será celebrado com alegria por apaixonados pelo alimento. Na Padaria Milu, na Tijuca, Zona Norte carioca, a expectativa nesta quarta-feira é vender mais do que os 3,5 mil pãezinhos diários. Funcionando há 60 anos na esquina das ruas Haddock Lobo e Matoso, o comércio é tradicional entre moradores da região. O aposentado Algemir Albernaz, de 65 anos, conta que não dispensa o desjejum com café preto e pão quentinho com manteiga.

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— Como pão todos os dias. É tradição, não posso deixar essa rotina de lado. E sempre peço o francês, que agrada a todo mundo — diz.

Padaria que já foi até cenário de filme (o ator Paulo Gustavo gravou cenas de "Minha mãe é uma peça" no local), a Beira Mar é preferência de dez entre dez moradores de Niterói. Localizado em Icaraí, o estabelecimento é frequentado até por quem não mora na cidade. A professora Carla Santos, de 34 anos, conta que sai de casa, pelo menos duas vezes por mês, e segue até a padaria para tomar café com as filhas. Nesta terça-feira, feriado para os professores, ela não perdeu tempo e foi até a Beira Mar comer as delícias vendidas por lá.

— Tem pão para todos os gostos, desde o tradicional até os mais elaborados, com queijo gorgonzola e nozes. A gente fica até sem saber o que comer. E pão é sempre uma delícia, né? — brinca ela.

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Pensando na qualidade dos produtos e na variedade do cardápio, a direção da Beira Mar decidiu inovar e incluiu uma linha de pães feita com uma farinha especial vinda da França. São 15 dias no mar, entre os portos de Leavre e Itajaí, em Santa Catarina, mais cinco dias de rodovia até chegar no Rio de Janeiro. Aqui, ela dá origem a folheados, pães de fermentação natural (fermento levain) e outras delícias.

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—  Prezamos muito pela qualidade. Buscamos inovar vendo o que está sendo lançado no mercado internacional. O atendimento é nossa prioridade. Criamos pães com recheios diferentes, como o de calabresa com provolone, e temos um pão a base de batata doce, com 50% da receita composta pelo tubérculo — diz Maria Célia, responsável pelo estabelecimento, que busca inspirações em viagens pelo mundo.

Pão é recomendado para todas as faixas etárias

O pão é uma das principais fontes de carboidrato para o organismo. Por isso, é essencial em todas as fases da vida. É o que garante a consultora em nutrição da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados, Ana Pallottini. Para a especialista, o pão industrializado, seja ele integral ou branco, tem vida útil longa e é prático, favorecendo lanches rápidos.

— É recomendado que 45% a 65% do valor energético total diário da dieta de uma pessoa saudável sejam provenientes de carboidratos. O nutriente é importante em todas as faixas etárias e a sua baixa ingestão pode acarretar cansaço e fadiga muscular entre outras coisas.

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Ana explica que, durante a infância, consumir pão como lanches intermediários maximiza o desempenho das atividades. Já na adolescência, o alimento traz melhor desempenho cognitivo relacionado à memória e desempenho escolar. A falta de carboidrato no organismo adulto compromete a formação de neurotransmissores, levando a alterações no humor. E na terceira idade, as alterações fisiológicas e anatômicas do envelhecimento têm repercussão na saúde e na nutrição. Por isso, estratégias que auxiliam a adaptação da dieta são importantes para garantir que os idosos se alimentem bem.

 

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