Título: Pão perde o protagonismo e padarias apostam em 'gourmetização'
Data Inserção:16/08/2018 10:48:55 Veículo: Site - O Tempo - Tiragem / Audiência:699100

Data Publicação: 09-08-2018 - clique aqui 144cm²

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PAULACOURA
Nem mesmo o tradicional pãozinho francês conseguiu resistir à crise.
Padarias em Belo Horizonte e no Brasil registraram queda de até 70% no volume de produção de um dos principais itens do café da manhã, segundo o estudo “Balanço e tendências do mercado de panificação e confeitaria”, publicado pela Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).
Concorrência com grandes redes de supermercado e a indústria de congelados podem explicar a queda nas vendas nos comércios menores, segundo o levantamento. A pesquisa revela que 60% das empresas tiveram queda no faturamento neste ano. E, em 68% delas, os preços aumentaram por causa dos custos dos insumos. Segundo o IBGE, os pães tiveram alta de 3,06% no acumulado de janeiro a julho, quando comparado com mesmo período de 2017.
Para trazer o público de volta para a padaria, o jeitinho foi inovar em produtos artesanais, gourmets e na qualidade e ampliação dos serviços aos clientes. Mudar é cada vez mais necessário. “O consumo de pão nas padarias tem caído, sobretudo nas classes mais baixas. O setor da panificação é mutável, e as padarias cada vez mais vêm oferecendo novos serviços, como café da manhã, almoços e até aquele sacolão de última hora. Além disso, há uma grande tendência de mercado pelos produtos saudáveis, principalmente alguns tipos de pães”, diz o presidente da Associação Mineira da Indústria da Panificação (Amipão) e proprietário da rede de padarias Ping Pão, Vinícius Dantas.
Para o presidente da Abip, José Batista de Oliveira, o pãozinho francês ainda não perdeu seu reinado. Prova disso é que o consumo de trigo, principal insumo utilizado na fabricação, passou de 11,1 milhões de toneladas para 12,1 milhões de toneladas em 2017, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). “Há novos competidores abastecendo o mercado, que também tem demandado novos hábitos de consumo. Hoje, está muito no dia a dia das pessoas os produtos com maior valor de saudabilidade (como pão integral)”, diz.
A expectativa do setor é que 2018 fosse um ano de recuperação, mas, segundo Oliveira, “problemas na área econômica e na área política, culminando com a greve dos caminhoneiros, baixaram essa expectativa. “Estamos tocando a vida, investindo em mix de produtos e atendimento”, pondera.
Previsões. O mercado brasileiro da panificação e confeitaria movimenta cerca de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega quase 2 milhões de pessoas no país, sendo 890 mil empregos diretos.
Em setembro
Congresso. Para discutir o mercado, trazer e enfatizar tendências e inovações do setor de panificação, entre os dias 26 e 30 de setembro, a Abip vai promover o Congrepan – que acontecerá em Florianópolis (SC).
Programação. O foco do encontro é a valorização dos produtos panificados e alimentos saudáveis, com foco na urgência da automação de processos. Mais detalhes em congrepan.com.br (http://congrepan.com.br)

Varejo aposta em porções menores e em novos produtos Uma das grandes apostas do setor de panificação é na criação do que seria o pãozinho brasileiro. Sementes de girassol e abóbora seriam as grandes estrelas
nessa mistura genuinamente nacional. Os custos dos insumos, porém, ainda impedem que os preços dessas novidades seja mais atrativos. “O saco da semente de abóbora, por exemplo, custa R$ 80. O que encarece o preço da mercadori a não é a produção”, explica o presidente da Associação Mineira da Indústria da Panificação (Amipão), Vinícius Dantas. Ele ainda descreve que uma outra aposta das padarias para cativar o consumidor são as “monoporções”, de preferência com o famoso meio a meio para as pessoas que moram sozinhas.
“São produtos mesclados, porque, dificilmente, uma pessoa, ou um casal, vai comprar um bolo inteiro. São combinações que têm agregado valor e motivado os empresários das padarias”, complementa Dantas.
Produção própria. A pesquisa da Abip verificou também que as padarias continuaram apostando na produção própria para a sobrevivência no mercado, o que puxou o crescimento do setor, embora num índice menor que o registrado em 2016 (5,4% em 2017, ante 11,2% apurados no ano anterior). As vendas de produção própria representaram 64% do volume de faturamento das empresas do setor.
Na Padaria Verdemar a aposta em produtos próprios deu resultados. A comercialização de pães artesanais já corresponde a mais da metade das vendas na comparação com os tradicionais. Custam, em média, R$ 29,90 o quilo, enquanto os da família do francês, doce e sovado custam, em média, R$ 20.
“São pães com fermentação mais longa, entre 24 horas e 36 horas, têm a casca crocante e o recheio aveludado, e com registros na literatura que são de melhor digestão. A rede tem deixado os pães mais tradicionais para apostar em um nicho de mercado que está se mostrando mais em expansão” explica a gerente industrial
do estabelecimento, Paula Dias.
Mais em conta
Inflação. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em julho o pão francês ficou mais barato em Belo Horizonte, com queda de
2,28% sobre junho.



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